Nick sempre gostou de ler, aprendeu sozinho aos quatro anos, lendo gibis debaixo de uma árvore no jardim da avó. Os pais não perceberam o quão extraordinário era o menino e a fome de livros que ele sentia, mas a avó percebeu e sempre trazia um gibi novo quando voltava para a casa. Os livros infantis ele lia um atrás do outro e quando caminhava pela rua, apontava o dedo para as placas e dizia: Olhe vovó! Ali é uma loja de roupas e lá uma oficina, e a avó achava uma graça a esperteza do neto.
Um dia o menino foi morar com os pais em um prédio no centro da cidade. Sentia saudade dos livros, dos gibis e da avó. Na casa dos pais tinha brinquedos, TV e videogames, porém não gostava de nada daquilo, ele queria ler. Os pais até então achavam que tudo era bobagem e que o menino tinha que brincar como as crianças da sua idade e não ficar lendo como se fosse adulto.
Certo dia, enquanto passeava pelo shopping, o menino soltou a mão da mãe e voou para dentro de uma livraria, quando o pequeno avistou aquela imensidão de livros de todas as cores e tamanhos, vislumbrou as palavras saírem dos livros e o chamarem, era como se dançassem à sua volta.
Agarrou-se a uma edição do livro “O mundo de Sophia” e quando a mãe o chamou com o intuito de irem embora, começou a chorar, dizendo que precisava ler o livro. A cena até parecia cômica, um menino de cinco anos agarrado a um livro de mais de 500 páginas. Foi tanto choro que a mãe, com pena do pequeno e com vergonha do escândalo que o filho fazia, comprou o bendito livro.
Anos se passaram e Nick continuou a amar os livros e a ler-los cada vez mais, o mundo dos livros era o seu mundo. Tornou-se um professor de literatura e pode ensinar à muitos outros o quão mágico era ler.
Na ultima sexta-feira do mês recebeu um telefonema da mãe. Horas depois estava em um velório, dentro do caixão o rosto pálido da avó o fazia lembrar-se das tardes em que lia os gibis que ela trazia. Chorou de saudade e logo tirou do casaco um gibi velho, com as páginas amarelas, colocou-o ao lado do corpo da senhora e por fim despediu-se.
Da gabi ;*
